O Edifício Martinelli pode ter perdido o posto de prédio alto de São Paulo, mas, certeza,
é um dos que têm mais histórias . Uma
construção que, em seu auge, representava tudo o que São Paulo viria a ser, passou também
por um período que exemplificava os piores problemas da megalópole. Localizado no centro
antigo, entre as ruas São Bento e Líbero Badaró e a Avenida São João, para quem trabalha
por perto é muito fácil passar por ele sem perceber o que ele representa para a cidade ou
mesmo olhar para cima e observar esse monumento arquitetônico histórico. Se ficou
interessado, preparamos este post para você!
A construção conturbada do Edifício Martinelli
Giuseppe Martinelli foi um imigrante italiano que prosperou no ramo de navegação marítima
durante a Primeira Guerra. Com a prosperidade dos negócios, o empresário decidiu realizar
seu sonho de deixar um legado para a cidade: em 1924, iniciou a construção do que viria a
ser o primeiro arranha-céu de São Paulo e o maior da América Latina. Além do tamanho, a
construção em
estilo neoclássico
também contava um luxo nunca visto, os melhores materiais disponíveis na época, importados
pela empresa de Martinelli. Entretanto, a obra sofreu vários atrasos e problemas. O
projeto original previa apenas 12 andares, mas o empresário continuava adicionando-os,
mesmo após sua inauguração. Quando atingiu 24 andares, a obra foi embargada pela
prefeitura, por não ter licença e infringir leis municipais. A luta de Martinelli se
tornou política, envolvendo a prefeitura e opositores. Por fim, uma comissão técnica
considerou o prédio seguro e limitou sua altura a 25 andares. Para chegar ao seu objetivo,
o empresário construiu lá uma casa de cinco andares para si e a família, que hoje é
conhecida como Casa do Comendador. Mesmo antes de sua conclusão, já havia se tornado um
ícone de São Paulo, sedes de partidos, jornais e clubes, um cinema e um hotel entre seus
inquilinos. O prédio era o point da alta sociedade paulista da época.
O período de abandono
O auge do Edifício Martinelli durou pouco. Entre os atrasos na construção e a crise
econômica de 1929, Giuseppe Martinelli foi forçado a vender seu edifício ao governo
italiano em 1934 para pagar dívidas. Com a Segunda Guerra, todos os bens de países aliados
ao Eixo foram confiscados e passaram para a União. Esse foi o destino do prédio em 1943.
Embora pertencesse à União, o prédio começou um processo de degradação que o levaria, na
década de 1960 e no início da de 1970, a se tornar uma favela vertical, devido a ser uma
das únicas opções de moradia barata no centro. As condições dessas habitações eram
insalubres: o lixo parou de ser recolhido e passou a se acumular nos poços de ventilação,
os elevadores pararam de funcionar e até assassinatos ocorreram no local, sem nunca terem
sido resolvidos.
A renovação do Edifício Martinelli
Em 1975, a história da construção toma um novo rumo, o então recém-eleito prefeito Olavo
Setúbal decidindo salvá-lo. Após uma desapropriação complicada, o edifício passou por um
processo profundo de restauração. A
fachada foi limpa jateamento de areia, os sistemas hidráulico e elétrico foram
substituídos completamente, novos elevadores foram instalados e, por fim, foi feito um
sistema de prevenção a incêndios que o tornou um dos seguros da cidade. Ele foi
reinaugurado em 1979, passando a ser sede de várias repartições municipais, o que ainda é
sua principal função. A Casa do Comendador, a antiga residência de Giuseppe Martinelli,
ficou aberta a visitação, o seu terraço oferecendo uma linda vista de São Paulo.
Infelizmente, no momento, as visitações estão suspensas por tempo indeterminado. O
Edifício Martinelli foi uma construção pioneira e tem um papel importante na história da
cidade. Seus corredores já abrigaram tanto a elite quanto os desfavorecidos. Hoje, é uma
parte integral do centro paulistano. Se passar pela rua São Bento e olhar para cima,
conseguirá ver esse pedaço de história. Compartilhe este texto em suas redes sociais para
que pessoas possam conhecer o passado desse prédio icônico!